Oaxaca · México · Mercado Sánchez Pascuas · No. 02 de 04 · 11 min de leitura

Os sete moles de Oaxaca, em ordem

Vou dizer qual mole é o melhor. Antes vou dizer quais não são. Isto não é um exercício acadêmico. Já fiz os sete moles mais vezes do que posso contar, numa cozinha de Oaxaca onde minha mãe os fazia antes de mim. Tenho opiniões. Elas estão certas.

By Doña Yolanda Vásquez · Oaxaca, México · Issue 47, Feature 02

I. Os sete

Para quem não os conhece: negro, rojo, coloradito, amarillo, verde, chichilo e manchamanteles. São os sete moles de Oaxaca. Outras regiões têm os seus, e aqui não os ordeno. Isto é Oaxaca.

O negro é o mole escuro, o mais complexo, o que pede mais tempo e mais atenção. Leva mais de trinta ingredientes, entre eles várias variedades de pimenta seca, chocolate, vários tipos de oleaginosa e semente, tortilha queimada, cebola queimada e especiarias que a maioria das cozinhas não tem.

O rojo, mais acessível que o negro. O coloradito, mais modesto — um mole para o meio da semana. O amarillo, o mole amarelo, o mais versátil. O verde, de ervas frescas, tomatillos e pepitas. O chichilo, construído sobre pimentas mulato e chihuacle negro com folha de abacate, o menos conhecido fora de Oaxaca. O manchamanteles, o mais doce, com abacaxi, banana-da-terra, às vezes pera.

II. A ordem

7. Coloradito. É bom. Não é grande. É um mole para terça. 6. Manchamanteles. A fruta confunde quem não a espera e encanta quem espera. 5. Rojo. Sólido, parelho, acessível.

4. Verde. O frescor é genuinamente prazeroso e a urgência que ele exige lhe dá uma qualidade que os outros não têm. 3. Chichilo. Subestimado em toda parte exceto em Oaxaca. A folha de abacate lhe dá algo que os demais moles não têm. 2. Amarillo. O mais versátil, o que mais faço. O amarillo funciona. Sempre funciona.

1. Negro. O negro é o mais complexo. Isso não o torna o melhor. Ele é o melhor de qualquer jeito.

III. Sobre o negro

O mole negro pede dois dias para ser bem-feito. As pimentas — mulato, chihuacle negro, chihuacle rojo, pasilla — são tostadas até quase pretas, depois hidratadas, depois batidas. Os aromáticos são queimados. Oleaginosas e sementes são tostadas à parte. O chocolate oaxaquenho entra no fim e não pode cozinhar muito tempo, ou amarga.

A cor é muito escura, quase preta, com brilho na superfície pela gordura. O sabor vem em camadas: primeiro a ardência da pimenta, depois o chocolate, depois as oleaginosas, depois algo mais terroso do queimado, e por fim um final longo e complexo que lembra por que você gastou dois dias nisto. O mole não está pronto quando parece pronto. Está pronto quando cheira como você lembra que ele cheirava.

Recipe — Mole Negro — simplificado para a cozinha de casa

Segundo Doña Yolanda Vásquez · Oaxaca · serve 8

A base de pimenta + aromáticos

The method

  1. Toste cada tipo de pimenta separadamente em uma frigideira seca até soltar aroma e escurecer. Hidrate em água quente por 30 minutos. Reserve a água de hidratação.
  2. Queime tomates, tomatillos, cebola e alho direto na chama ou sob o grill, até manchas pretas.
  3. Toste pepitas, gergelim e amêndoas separadamente em frigideira seca até dourar.
  4. Bata as pimentas com um pouco da água de hidratação até ficar liso. Bata os aromáticos queimados à parte. Bata sementes, oleaginosas e tortilha frita à parte.
  5. Aqueça banha em panela pesada. Refogue a pasta de pimenta, mexendo sem parar, por 10 minutos. Acrescente a pasta de tomate. Acrescente a pasta de oleaginosas. Adicione as especiarias. Cozinhe em fogo médio-baixo, mexendo com frequência, por 45 minutos.
  6. Acrescente o chocolate. Cozinhe mais 15 minutos. Acerte o sal. Adicione o peru ou frango cozidos ao mole nos últimos 30 minutos. Se possível, deixe descansar de um dia para o outro antes de servir.

About the contributor

Doña Yolanda Vásquez

Doña Yolanda escreve sobre a cozinha oaxaquenha e os sete moles desde Oaxaca, México. Sua cozinha faz mole negro há três gerações — e continua. Ela tem opiniões. Elas estão certas.

Editor’s notes — the longer view

Uma nota sobre as pimentas. A chihuacle negro é o coração do mole negro. É rara mesmo em Oaxaca, cara quando se encontra e absolutamente insubstituível. Na falta dela, a aproximação mais próxima é pasilla negro com mulato na proporção 2:1. O resultado não é o mesmo.

Uma nota sobre o chocolate. O chocolate oaxaquenho vem em tabletes redondos, moído com açúcar, canela e amêndoas, e é feito para derreter em bebidas e molhos. Marcas como Mayordomo e La Soledad são bastante exportadas. Substituí-lo por chocolate de confeitaria mais açúcar perde a profundidade de canela e amêndoa.

Uma nota sobre a ocasião. O mole negro não é comida de dia comum. É comida de casamento, de batizado, de Dia dos Mortos. Cozinhe-o para a ocasião que o merece.

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