Lyon · France · N.º 02 de 04 · 8 min de leitura

Os molhos-mãe, em 2026

Tratou-se os cinco molhos-mãe como peças de museu. São, na verdade, ferramentas de cozinha. Os que servem mesmo merecem ser feitos. Os que são sobretudo históricos merecem ser compreendidos.

By Camille Laurent · Lyon, France · Issue 47, Feature 02

I. Béchamel — ainda de uso diário

Manteiga, farinha, leite. O molho mais útil da cozinha europeia e um dos mais vezes mal feitos. Leite frio sobre roux quente. Bate sem parar. Tempera com sal, pimenta branca, noz-moscada fresca. Base de lasanha, moussaka, croque monsieur, suflé, gratin dauphinois, mac and cheese.

II. Velouté e holandês

Velouté: manteiga, farinha, caldo claro. A aplicação mais prática é o velouté de frango feito a partir dos sucos da assadeira. Holandês: molho emulsionado de gemas, manteiga clarificada, limão e sal. Instável mas saboroso. O método na liquidificadora é à prova de erro e quase ninguém o distingue do clássico.

III. Espanhol, demi-glace e tomat

O espanhol e a demi-glace levam quase um dia inteiro e há boas versões comerciais. Compra o frasco. O sauce tomat do cânone clássico simplificou-se, nas cozinhas modernas, num bom molho de tomate. O clássico vive na história. O simples vive nas cozinhas.

Recipe — Béchamel

Camille Laurent · Lyon · rende ~2 chávenas · 10 minutos · lume médio

Ingredientes

The method

  1. Derrete a manteiga num tacho em lume médio. Junta a farinha, bate sem parar 2 minutos — amarelo pálido, levemente a noz.
  2. Retira do lume. Junta todo o leite frio de uma só vez, batendo com força. Volta ao lume médio.
  3. Coze batendo sem parar, alcançando os cantos do tacho, até engrossar — cerca de 5 minutos.
  4. Tempera com sal, pimenta branca e noz-moscada acabada de ralar.
  5. Usa imediatamente, ou pressiona película aderente diretamente sobre a superfície para evitar a pele.

About the contributor

Camille Laurent

Camille Laurent escreve sobre cozinha francesa clássica e a sua relevância contemporânea desde Lyon, France. Formou-se num restaurante onde o chef fez béchamel todas as semanas durante quarenta anos.

Editor’s notes — the longer view

Uma nota sobre o roux. Três fases: blanc (béchamel), blond (velouté), brun (espanhol). Mesmos ingredientes, tempos diferentes. Aprende a cor de cada fase.

Uma nota sobre a noz-moscada. Metade da quantidade que pensas estar certa. O preparado em pó é inferior — os aromáticos voláteis dissipam-se em poucas semanas após a moagem.

Uma nota sobre a pimenta branca. Não preta. Os pontinhos visíveis num molho branco lêem-se como «pedaços queimados» mesmo quando não o são. O sabor também é ligeiramente diferente.

Uma nota sobre o chef. Quarenta anos de béchamel, um único comentário sobre ela: «C'est correct.» O padrão era claro. A reverência era para o padrão, não para o molho.

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